quinta-feira, 7 de abril de 2011

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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O fim da homogeneidade

A esquerda radical nacionalista e independentista basca, que sempre constituiu uma das grandes estruturas de apoio da ETA, começa a dar os primeiros sinais de divergência com esta organização. Até há pouco tempo, os radicais actuavam de forma muito coesa, nunca tendo havido qualquer condena ou crítica à dinâmica de violência etarra. Isto leva muitos a crer que estamos perante algo de verdadeiramente novo.
A ETA está mesmo debilitada. Mais debilitada do que nas vésperas de qualquer dos outros processos negociais. E o que espelha essa debilidade são, precisamente, as fissuras que começam a fazer-se notar no monolítico bloco nacionalista radical.

domingo, 24 de outubro de 2010

Novo vice-presidente

Comecemos pela notícia mais relevante de toda a semana política espanhola e que terá repercussões na estratégia governamental de resposta ao fim da violência armada/terrorismo: a remodelação de governo levada a cabo há alguns dias. Não eram poucos os que davam o presidente espanhol como politicamente morto. No entanto, Zapatero, fazendo justiça à sua fama de político frio, "deixou-os pousar" e levou a cabo uma profunda alteração no seu gabinete. A principal inovação foi a ascensão de Alfredo Pérez Rubalcaba, ministro do Interior, a vice-presidente do governo. Esta promoção é especialmente relevante pelo papel que Rubalcaba, um militante socialista da velha guarda, tem tido no combate à ETA. Há mesmo quem diga que a chegada ao novo cargo tem uma relação directa com o momento de grande debilidade que vive a organização independentista basca.

Pedido de desculpas

Peço desculpas pelo blackout informativo dos últimos dias, mas não tenho tido muito tempo para comentar a enorme torrente informativa que vem do outro lado da fronteira. Os próximos posts vão tentarão pôr alguma ordem na casa.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Mais um preso

A actividade "oficial" de Espanha e França prossegue, no âmbito do combate ao terrorismo da ETA. Se esta organização pensou que poderia rearmar-se às custas de um falso processo de paz, enganou-se rotundamente.
A ETA actual não pode ser encarada como um agente homogéneo com vontade claramente definida e isto gera uma aparência de irracionalidade nas suas acções: terá declarado um cessar-fogo, aparentemente na ilusão de se poder fortalecer? Mas não é mais do que óbvio que o Estado espanhol se encontra mais do que fortalecido nesta matéria e que não tem margem para qualquer cedência, dados os enganos em que tem caído? O que pretende, então, a ETA? Provavelmente nem ela sabe. Nem ele, nem nenhum dos homens que a compõem. Confusão típica de um fim apocalíptico? Quem sabe...

sábado, 9 de outubro de 2010

El País e governo

Esta é uma reportagem relacionada com o último post que aqui pus.
As movimentações dos presos da ETA são essenciais para descortinar alguma coisa a respeito do futuro próximo da organização. No entanto, faço um alerta. Podemos encarar o que é publicado no El País, no que diz respeito à luta anti-terrorista, de duas formas: como um trabalho que contém informações relevantes e inéditas, pela proximidade deste diário aos socialistas espanhóis, actualmente no governo; ou como uma mensagem que esse mesmo governo pretende fazer passar à sociedade e à envolvente da ETA, através de um órgão de comunicação que lhe é próximo. A bem da higiene informativa, espero que a primeira hipótese seja a mais provável.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Falsa trégua

Esta notícia pode querer dizer uma de duas coisas: ou a direita mediática espanhola está a lançar um ataque preventivo a futuras negociações; ou as profundas divisões que atravessam a ETA estão a vir ao de cima, com alguns membros da organização a tentar negociar com o governo espanhol, enquanto outros tentam radicalizar a luta e enveredar por uma nova onda de violência e homicídios. No caso de se estar a assistir a um aprofundar das divisões internas, é provável que o governo as tente aproveitar e que pondere benesses para os que abandonam a luta armada. Talvez seja neste quadro que devam ser entendidas a discreta aproximação de presos ao País Basco. Recorde-se que existe, em Espanha, uma política penitenciária de dispersão de condenados por terrorismo, que tem como objectivo afastar os presos da ETA do País Basco, colocando-os em prisões distantes de casa.